sábado, 11 de junho de 2011

A moralidade é um prato gorduroso e lamacento que se come lambuzando os beiços inchados com o óleo sujo e viscoso da mediocridade.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Amor. Amor? Amor!

Quando você ama, a quem você ama?

Ama-se verdadeiramente o que?

O objeto do amor?

O amor em si?

Ou, quem sabe, a idealização do amor?

O amor não seria apenas um enamorar-se do amor que salta dos olhos do enamorado, enamorado pelo amor que salta dos olhos por ele enamorados? E não seria isso amar simplesmente o amor em si, em sua forma mais pura e verdadeira?

A tristeza do enamorado desiludido é a separação de seu enamorado ou a desilusão de ter seu enamorar-se pelo amor pelo amor traído?

E quem, nesse louco mundo de tolos enamorados, há de explicar o amor?

"Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure" - Vinicius de Moraes

Inspirado por Thiago Carvalho (Minha Vida Um Romance)

A Ansiosa Ansiedade OU Divagações Sobre a Pressa

"A pressa é inimiga da perfeição"

"Quem tem pressa come crú"

É difícil lutar contra a pressa quando a ansiedade se torna sufocante, quando os olhos embaçam e fica impossível ver com clareza o movimento lento do mundo à sua volta. Quando o universo parece imóvel, o pulso acelera, o sangue martela o cérebro, o ar em volta se torna rarefeito. E é aí que o ansioso se torna vítima indefesa dessa tal de pressa, que o devora numa só dentada, crú e imperfeito.

NHACT!!

"Decifra-me ou devoro-te"

Inspirado por Pat Lávsqui (A Cética Desabusada)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Saudades

Eu sinto saudades.
Sinto saudades de coisas que não vivi, que não senti.
Sinto saudades de sonhos que nunca deixaram de ser apenas sonhos. Sonhos que nem eram meus.
Sinto saudades de coisas que nem sei dizer o que são. Coisas que não existiram, que jamais existirão.
Saudades de um mundo inventado, de um tempo imaginado.
Uma saudade sem nome, sem forma, sem cor.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Falemos de Números

É uma matemática simples:
Eu falo em pessoas, você me responde em números.
Eu falo em sentimentos: bagunçados, desorganizados, confusos e conflitantes.
Você me responde em itens bem separados, organizados e delimitados.
Cada vez que ouço sua voz distorcida ao telefone, já prevejo todo o discurso, todos os argumentos e toda a impotência diante deles. Como se argumenta contra uma certeza absoluta e imutável? Contra os argumentos rígidos e matemáticos que desprezam o sentir?
Como se argumenta contra números?

Números não falam de pessoas!
Para mim, um mais um pode ser dois, ou três, ou quatro milhões, ou até mesmo azul!
Nunca fui bom em matemática, você sabe...

Ainda me lembro da frase: "Você não sabe? Então pensa!"
Pois é, quanto mais eu penso, mais essa matemática não faz sentido pra mim. Um monte de números mortos, isso sim.

E sabe o que me entristece? É ver que cada dia mais você se afasta daquele ser pensante que eu tanto admirava pra se tornar um amontoado de números e estatísticas. Porque eu sei que esse não foi sempre você, e por isso tenho esperanças de que ainda se lembre desse ser de antes. Antes dos números, das notas, das turbinas de aviões. Esse ser... humano.

Quando lembrar desse ser, e os números perderem a importância, me avise. Eu sinto falta daqueles tempos.
Quando voltar a pensar nas pessoas como únicas, e não como unidades, me avise.
Quando voltar a falar de sonhos, e não de probabilidades, me avise.

Até lá, let's talk numbers.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O Mendigo

Vestido em trapos imundos ele vagava pelas ruas da velha cidade.Vasculhava os montes de lixo, procurava debaixo das pontes, nos bueiros, nos becos desertos.
Andava de casa em casa, pedindo restos. Restos de sonhos que haviam se perdido, restos de infância, restos de uma felicidade há muito esquecida no meio dos entulhos da velha cidade de pedra fria.
Assim seguia o velho andarilho, colecionando pedaços de memória, juntando fragmentos de vida, de desejos ocultos, tentando construir uma existência própria.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Grades de Vidro

Adentramos a sala da pequena casa.
De todos os moradores da pequena cidade, "Seu" Antônio Ferreiro era o mais curioso.
A sala era pequena, confortável. Uma sala comum, de uma casa comum, diria-se, se não fosse por uma peculiaridade. No centro da sala, ocupando o espaço de mais ou menos um metro quadrado, havia uma magnifica gaiola de vidro com uma mulher mais magnifica ainda em seu interior.
No teto da gaiola estavam pendurados pequenos pássaros de vidro, que esvoaçam sobre a esplêndida mulher, que parecia não ter notado nossa presença. Continuava a olhar para o sol que se punha lá fora, através da janela.

- Não é linda? - perguntou "Seu" Antônio.

- Por que está nessa gaiola?

- Ela vive aí - respondeu - Quando ela veio pra cá, ela era tão bela, tão pura. Tive medo que se perdesse, que sumisse no mundo, que algo de mau pudesse lhe acontecer. Por isso construí essa gaiola de vidro. Para protegê-la do mundo terrível que há lá fora. Dentro da gaiola ela não conhece a dor ou o sofrimento. Está livre da maldade que habita o coração dos que vivem do lado de cá das grades. Nunca nada de mau poderá tocá-la.
Graças as barras de vidro é que ela se tornou a criatura esplêndida que é, pois somente dentro de tal estufa poderia florescer tão bela flor. Não existe no mundo mulher alguma que se compare a ela! Dentro dessa gaiola ela floresceu, e dentro dela murchará, sem ser maculada pelo horror que há lá fora.

Ficamos em silêncio, observando a mulher, que continuava a olhar o horizonte escurecendo do lado de fora.
Saímos da casa e adentramos novamente o mundo terrível e sombrio do lado de fora.
Não saberia explicar bem o porque, mas o ar da noite nunca me parecera tão agradável.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pausa

Vasculhando a superfície da pele, o tempo se dilata. É possível vasculhar poro por poro, imperfeição por imperfeição e, dentro de menos de um segundo, obter um mapa completo da perfeição de uma face.
Nessa pequena suspensão do tempo, observa-se a pele, já não tão jovem, e os pêlos curtos, negros e brancos, que se insinuam em sua superfície. Passeia-se o olhar, que se detém nas hastes negras e curvadas que são os cílios.
E enfim, o olhar. É aí que o tempo pára. Em dois poços negros, circundados por uma faixa de terra, ligeiramente tingida com um verde muito escuro nas bordas do tal poço. Uma faixa de musgos quase imperceptível. É um olhar firme, enraizado, porém, ainda com um que de inocência mal disfarçada.
O relógio volta a correr. Mas a memória retém aquele momento, aquele vasculhar.
A memória de um segundo se expande, e é possível reconstituir num piscar de olhos, poro por poro, imperfeição por imperfeição, toda a perfeição daquela face.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Drama!

Era uma menina apaixonadíssima!
Por quem? Oras, isso não interessa!
O importante é que era apaixonadíssima!
Por esse, por aquele, cada um em seu tempo, curto ou longo.

Mas pobrezinha, quanta desilusão, quanta dor.
Umas semana pensava em cortar os pulsos.
Na outra, entupir-se de remédios.
Na seguinte, se imaginava estatelada no chão depois da queda de oito andares.
"É isso" - pensava ela - "vou tomar formicida!"
Mas logo surgia um outro par de olhos verdes, varrendo a idéia para longe.

Era uma menina apaixonadíssima!
E como sofria!
Sofria muito e sempre.
Mas sempre apaixonadíssima!

Tolices

O problema é que você me deixa descomposto.

O coração se multiplica. Pulsa na cabeça, no estômago, até mesmo na sola pé! Pulsa em todos os lugares, menos no peito, coitado, tão abandonado.

Você me deixa louco, sabia?
E o problema é que eu adoro a loucura.