Lá estava ele, pequeno e frágil, jogado num canto da calçada. As pessoas passavam apressadas, sem percebê-lo. Sentia seu corpo cada vez mais frio, os ossos quebrados latejavam insuportavelmente, seu corpo doía, dentro e fora.
Um menino passava, voltando da escola, com sua mochila velha e surrada: herança de família. Assobiava uma canção despretensiosa quando seus olhos se depararam com algo no chão.
Lá estava, num canto da calçada, debaixo da vitrine de uma loja de grife, um pequeno pássaro, piando debilmente. A príncipio passou reto, mas depois voltou e recolheu a pequena criatura, que não demonstrou nenhuma resistência.
Correu para casa.
Sentia o coraçãozinho daquele ser minúsculo pulsando entre suas mãos fechadas em concha. Era quente, muito quente.
Ao chegar em casa, foi constatado que o pássaro era um filhote de Bem-Te-Vi que acabara de cair do ninho, e que estava com a asa quebrada.
A asa foi imobilizada com uma tala, e o pequeno pássaro colocado numa gaiola na cozinha, após ser alimentado.
O menino então sentou-se em frente à gaiola, observando-o dormir. Imaginava aquele filhote se transformando, lentamente, num belo pássaro. Imaginava também o dia em que sua asa estaria completamente curada, e ele o levaria lá pro jardim e o ensinaria a voar.
Seus olhos brilhavam ao pensar na sensação que sentiria a criaturinha quando, pela primeira vez, o vento matinal lhe tocasse as asas.
Ele o ensinaria a voar, e saberia dizer adeus quando o passarinho resolvesse ir embora.
Aquele dia inteiro o menino permaneceu ao lado da gaiola, cuidando de seu mais novo amigo.
Quando anoiteceu, adormeceu e sonhou que voava nas asas de um magnífico pássaro verde. Sobrevoava o mar, as matas, as colinas, as pequenas vilas, que ficavam maravilhadas com tão fantástica criatura, e as cidades, com sua população tão apressada que nem parecia notar a o gigantesco pássaro atravessando os céus.
Na manhã seguinte despertou feliz. Queria contar à criaturinha o sonho maravilhoso que tivera.
Correu até a cozinha e levantou o pano que cobria a gaiola.
O pássaro havia morrido.
"Adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo." - Oscar Wilde
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Le Temps Perdue
- Te amo.
Ele fingiu que não ouviu.
Vestiu uma bermuda e saiu do quarto.
Estava tudo errado. Não era ela, ele sabia. Sempre soube.
Desde a primeira troca de olhares, do primeiro beijo, da primeira noite.
Como podia ser isso?
As últimas horas haviam sido maravilhosas.
Era como se o mundo todo deixasse de existir quando estavam os dois lá, nus.
Era como se realmente fosse ela.
Mas não.
A lembrança daquele perfume e daqueles olhos era o suficiente para varrê-la do pensamento e transformar aquelas horas em nada, em pó.
Não, aquilo não estava certo.
Já haviam ido longe demais. Estava na hora de colocar um ponto final nessa história.
Mas não agora.
Não hoje.
Sentiu seus braços frios abraçando-o.
- Estou indo.
- Tá.
Abriu a porta. Ela chamou o elevador.
Nenhum dos dois falava. Ele evitava seu olhar.
A porta do elevador se abriu.
Ela novamente enlaçou-o em seus braços e beijou-o nos lábios.
- Te amo.
- Eu também.
Ele fingiu que não ouviu.
Vestiu uma bermuda e saiu do quarto.
Estava tudo errado. Não era ela, ele sabia. Sempre soube.
Desde a primeira troca de olhares, do primeiro beijo, da primeira noite.
Como podia ser isso?
As últimas horas haviam sido maravilhosas.
Era como se o mundo todo deixasse de existir quando estavam os dois lá, nus.
Era como se realmente fosse ela.
Mas não.
A lembrança daquele perfume e daqueles olhos era o suficiente para varrê-la do pensamento e transformar aquelas horas em nada, em pó.
Não, aquilo não estava certo.
Já haviam ido longe demais. Estava na hora de colocar um ponto final nessa história.
Mas não agora.
Não hoje.
Sentiu seus braços frios abraçando-o.
- Estou indo.
- Tá.
Abriu a porta. Ela chamou o elevador.
Nenhum dos dois falava. Ele evitava seu olhar.
A porta do elevador se abriu.
Ela novamente enlaçou-o em seus braços e beijou-o nos lábios.
- Te amo.
- Eu também.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Como de Costume
Todos reunidos em volta do suculento peru de natal.
"De quem será o primeiro pedaço?", pergunta a avó.
O primeiro pedaço foi pra prima magrela, aquela que não conseguia arranjar marido e se matava de trabalhar naquele escritoriozinho no centro da cidade. Coitada, o salário é tão baixo que nem pode sair da casa dos pais. Um verdadeiro peso morto. Completamente diferente do irmão, esse sim um empresário bem sucedido. Mas aquela mulherzinha dele, ah, ninguém merece. Sem sal, é o que ela é. E o que faz? Ninguém sabe. Deve ser uma dessas dondocas que vive às custas do dinheiro do marido.
O segundo pedaço foi para o neto mais velho, aquele que tinha acabado de se divorciar. Ela ficou com as crianças. Mas também, que juiz daria a guarda de duas crianças a um professorzinho universitário recém-desempregado. Não, não... ele perdeu o emprego depois de perder a guarda dos filhos. Mas também, como ele iria sustentar duas crianças com aquele salário? Ela não. Tem um emprego importante. Ganha bem. Tem condições de criar direito uma criança.
O terceiro pedaço foi para a filha mais nova, aquela que ficou viuva. E os filhos dela? A menina está viajando. Ah, como ela é estudiosa! Além do que, uma graça de menina. E o rapaz? Esse não quis vir, preferiu passar o natal com aquele "amigo" dele. Coitada da mãe, ter que suportar isso. Pelo menos teve o bom censo de não aparecer pro por aqui.
O quarto pedaço foi pro sobrinho, aquele que acabou de se formar e não consegue emprego em lugar nenhum. Um vagabundo, isso sim.
O quinto pedaço foi pra irmã mais velha, aquela que traia o marido com outro.
O sexto foi pro marido da outra prima. Um traste.
Todos se deliciavam naquela bela ceia de natal, sem notar a ausência do neto mais novo, que se ocupava em despir sua mais recente namorada.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Minimal 13/J
Explosão!
Partículas voando por toda a parte.
Delírio.
Confusão.
Luzes coloridas.
Movimento. Movimento. Movimento.
Os pensamentos se enroscam em espirais, misturam-se, enrolam-se e desenrolam-se.
O pé bate contra o chão.
Descontrole.
Olhos abertos e em brasa.
Cascatas de suor.
Sonho, ilusão.
Movimento. Movimento. Movimento.
Partículas voando por toda a parte.
Delírio.
Confusão.
Luzes coloridas.
Movimento. Movimento. Movimento.
Os pensamentos se enroscam em espirais, misturam-se, enrolam-se e desenrolam-se.
O pé bate contra o chão.
Descontrole.
Olhos abertos e em brasa.
Cascatas de suor.
Sonho, ilusão.
Movimento. Movimento. Movimento.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Queda
Quem é a menina no balanço?
Virgem, santa ou puta?
Eu corro por essas estradas escuras que me levam a lugar nenhum.
Um sorriso, um olhar, a fumaça que invade as narinas, atordoa o cérebro, faz arder os olhos.
Quem é a menina com a coroa de flores?
O relógio bate. Meia Noite. Uma sombra se esgueira pelos cantos escuros do meu pensamento. Salta, corre, voa.
Eu te quero ao meu lado sempre.
Um jogo de cabeças rolando e membros decepados.
Corra, pequena, corra, que o dia ainda está longe.
O relógio bate. De novo. De novo. De novo. De novo. De novo. De novo.
O quarto escuro, o sangue no lençol. E de novo aquele sorriso.
Lá vou eu, morrer de novo.
Virgem, santa ou puta?
Eu corro por essas estradas escuras que me levam a lugar nenhum.
Um sorriso, um olhar, a fumaça que invade as narinas, atordoa o cérebro, faz arder os olhos.
Quem é a menina com a coroa de flores?
O relógio bate. Meia Noite. Uma sombra se esgueira pelos cantos escuros do meu pensamento. Salta, corre, voa.
Eu te quero ao meu lado sempre.
Um jogo de cabeças rolando e membros decepados.
Corra, pequena, corra, que o dia ainda está longe.
O relógio bate. De novo. De novo. De novo. De novo. De novo. De novo.
O quarto escuro, o sangue no lençol. E de novo aquele sorriso.
Lá vou eu, morrer de novo.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Força Bruta
Eu bato a porta e saio.
Nunca tinha reparado como esse corredor é estreito. Aperto o botão do elevador. Demora. Demora. Sufoco! Não aguento! Desço as escadas, 5 andares. Correndo. Passo o hall, chego na rua.
"Não pare! Não pare!"
Meus passos apressados ecoam nos meus ouvidos. O mundo passa por mim como uma grande mancha difusa. Ouço meu coração pulsando no crânio.
"Mais rápido! Mais rápido!"
A imagem dela sentada na cama em silêncio não me sai da cabeça.
Minha boca tem um gosto amargo.
Acho que vou vomitar.
Fecho a porta, atordoado, e me deixo cair no sofá.
Minha camiseta está ensopada de suor.
Meu corpo treme inteiro.
Acordo com o telefone tocando.
"Alô?...Alô?"
"Oi... Sou eu."
"Ah..."
"Você esqueceu a carteira em casa..."
"Eu pego amanhã. Deixa na portaria."
"Tá... Você... tá bem?"
"Por que eu não estaria?"
"Desculpa... Eu só pensei..."
"Pensou errado. Era só isso?"
"... Sim."
"Tchau."
Por que eu fiz isso?
Um mês. Num bar.
Ela está na minha frente. Ah, como sinto falta desse perfume.
Como você está?
Bem - seco.
Eu...eu queria conversar com você.
Por que?
...
Viro e vou pra minha mesa. Ela fica parada no mesmo lugar, segurando a garrafa de cerveja. Vejo ela sair e ir para sua mesa.
Por que eu faço isso? Estúpido!
"Eu sinto a sua falta! Eu quero você de volta! Eu quero seu corpo, seu cheiro, sua voz! Eu quero gritar pra esse bar inteiro ouvir!"
Bebo rápido. Engulo.
Levanto, passo por sua mesa sem olhar. Sinto os olhos dela me queimando.
Vou para o próximo bar e bebo. A bebida desce queimando a garganta. Alguém me diga que assim eu me salvo, que assim eu sufoco essa dor. Alguém me diga que assim eu afogo sua lembrança.
Um quarto de motel barato. Minha cabeça dói.
Eu pego o telefone, apago seu número.
Mas quem te apaga de mim?
Volto pra casa, deito na cama.
O cheiro do perfume barato me faz querer vomitar.
Nunca tinha reparado como esse corredor é estreito. Aperto o botão do elevador. Demora. Demora. Sufoco! Não aguento! Desço as escadas, 5 andares. Correndo. Passo o hall, chego na rua.
"Não pare! Não pare!"
Meus passos apressados ecoam nos meus ouvidos. O mundo passa por mim como uma grande mancha difusa. Ouço meu coração pulsando no crânio.
"Mais rápido! Mais rápido!"
A imagem dela sentada na cama em silêncio não me sai da cabeça.
Minha boca tem um gosto amargo.
Acho que vou vomitar.
Fecho a porta, atordoado, e me deixo cair no sofá.
Minha camiseta está ensopada de suor.
Meu corpo treme inteiro.
Acordo com o telefone tocando.
"Alô?...Alô?"
"Oi... Sou eu."
"Ah..."
"Você esqueceu a carteira em casa..."
"Eu pego amanhã. Deixa na portaria."
"Tá... Você... tá bem?"
"Por que eu não estaria?"
"Desculpa... Eu só pensei..."
"Pensou errado. Era só isso?"
"... Sim."
"Tchau."
Por que eu fiz isso?
Um mês. Num bar.
Ela está na minha frente. Ah, como sinto falta desse perfume.
Como você está?
Bem - seco.
Eu...eu queria conversar com você.
Por que?
...
Viro e vou pra minha mesa. Ela fica parada no mesmo lugar, segurando a garrafa de cerveja. Vejo ela sair e ir para sua mesa.
Por que eu faço isso? Estúpido!
"Eu sinto a sua falta! Eu quero você de volta! Eu quero seu corpo, seu cheiro, sua voz! Eu quero gritar pra esse bar inteiro ouvir!"
Bebo rápido. Engulo.
Levanto, passo por sua mesa sem olhar. Sinto os olhos dela me queimando.
Vou para o próximo bar e bebo. A bebida desce queimando a garganta. Alguém me diga que assim eu me salvo, que assim eu sufoco essa dor. Alguém me diga que assim eu afogo sua lembrança.
Um quarto de motel barato. Minha cabeça dói.
Eu pego o telefone, apago seu número.
Mas quem te apaga de mim?
Volto pra casa, deito na cama.
O cheiro do perfume barato me faz querer vomitar.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Tarde
Pára em frente ao portão de madeira, respira, e entra. O som daquela voz ainda ecoa em seus ouvidos.
"Por que não?"
"Eu não posso."
"Por que?"
"Porque eu não posso."
Longe demais.
"Um garoto, apenas um garoto... É preciso viver! Esses sonhos tolos não levam a lugar algum..."
O quarto está abafado. Os sons da tesoura do jardineiro entram pela janela. O resto do mundo é silêncio.
"Por que não?"
Batem na porta.
O mundo real chama, é hora de despertar.
sábado, 8 de janeiro de 2011
La Nuit d'Iphigénie
Olha, vê esse sangue que escorre. Esse sangue virgem, que nunca conheceu a delícia e a dor da carne.
Uma noiva de luto.
Desgraça a ti e a todo o teu sangue!
Que a morte venha a todos os teus homens.
Que eles deitem seus corpos ensanguentados sobre os lençóis da jovem noiva.
Puta!
Que venha o jovem ceifador deitar entre minhas coxas.
Imundo! Sujo!
Pelo braço me levaste ao altar.
Casaste-me com a morte.
Pobre noiva infeliz: o noivo ama ao pai!
Uma noiva de luto.
Desgraça a ti e a todo o teu sangue!
Que a morte venha a todos os teus homens.
Que eles deitem seus corpos ensanguentados sobre os lençóis da jovem noiva.
Puta!
Que venha o jovem ceifador deitar entre minhas coxas.
Imundo! Sujo!
Pelo braço me levaste ao altar.
Casaste-me com a morte.
Pobre noiva infeliz: o noivo ama ao pai!
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
"Blablabla Whiskas Sachê"*
Sabe o que realmente me cansa?
Discursos.
Aqueles discursos vazios, que se pretendem mais do que são.
Os discursos de palavras ocas que, fora de sua forma reluzente, não passam de meros fantasmas de idéias. Palavras mortas e decompostas, cadáveres fonéticos perdidos no espaço.
Fontes de verdadeiro tédio e monotonia, e nada mais.
Eu sinto falta de paixão.
Paixão em cada palavra, em cada tomada de fôlego. Eu sinto falta do silêncio que expressa tudo aquilo que as palavras são incapazes de dizer.
Eu sinto falta das palavras sinceras e verdadeiras, que não se permitem cair em maneirismos patéticos e sem alma.
Eu cansei desses falsos heróis e, principalmente, desses falsos vilões.
Que deixem a força e a rudez para esses pobres infelizes que vêem nelas algum valor.
Quanto a mim, escolho a fragilidade.
Me chamem de tolo, de sonhador, de fraco. Não me importarei.
Eu vejo sim a beleza de uma pequena flor que, tão frágil, consegue brotar entre as duras rochas de um penhasco. Quanto as rochas, são apenas rochas. Fortes e imponentes, sem dúvida, mas também frias, duras, imutáveis.
Quer coisa mais bela na natureza que a sua eterna mutabilidade?
Eu gosto de palavras efêmeras, que se perdem no segundo em que são ditas, e nunca mais podem ser repetidas. Porque são vivas, são quentes, têm sangue correndo em cada veia, em cada fibra de seu ser.
Palavras duras e engessadas numa forma não me despertam o menor interesse.
"Mentiras sinceras me interessam"
Salve sua alma, antes que ela se torne tão dura e fria quanto suas palavras.
*Créditos do título para Pat Lávisqui
Discursos.
Aqueles discursos vazios, que se pretendem mais do que são.
Os discursos de palavras ocas que, fora de sua forma reluzente, não passam de meros fantasmas de idéias. Palavras mortas e decompostas, cadáveres fonéticos perdidos no espaço.
Fontes de verdadeiro tédio e monotonia, e nada mais.
Eu sinto falta de paixão.
Paixão em cada palavra, em cada tomada de fôlego. Eu sinto falta do silêncio que expressa tudo aquilo que as palavras são incapazes de dizer.
Eu sinto falta das palavras sinceras e verdadeiras, que não se permitem cair em maneirismos patéticos e sem alma.
Eu cansei desses falsos heróis e, principalmente, desses falsos vilões.
Que deixem a força e a rudez para esses pobres infelizes que vêem nelas algum valor.
Quanto a mim, escolho a fragilidade.
Me chamem de tolo, de sonhador, de fraco. Não me importarei.
Eu vejo sim a beleza de uma pequena flor que, tão frágil, consegue brotar entre as duras rochas de um penhasco. Quanto as rochas, são apenas rochas. Fortes e imponentes, sem dúvida, mas também frias, duras, imutáveis.
Quer coisa mais bela na natureza que a sua eterna mutabilidade?
Eu gosto de palavras efêmeras, que se perdem no segundo em que são ditas, e nunca mais podem ser repetidas. Porque são vivas, são quentes, têm sangue correndo em cada veia, em cada fibra de seu ser.
Palavras duras e engessadas numa forma não me despertam o menor interesse.
"Mentiras sinceras me interessam"
Salve sua alma, antes que ela se torne tão dura e fria quanto suas palavras.
*Créditos do título para Pat Lávisqui
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Onde está Morfeu?
Todas as noites eu persigo esse jovem esbelto, que insiste em esconder-se nos cantos mais improváveis.
Nas longas horas da madrugada, ficamos os dois a brincar desse jogo de esconde-esconde. É um jogo terrível, sofrido, doloroso, mas quando acaba... Ah, como é doce o encontro!
Sob a vigília dos olhos pesados da noite, nossos corpos se entrelaçam e dançam um balé bêbado, estático. Então ele me ergue em seus braços e, com uma leveza digna de um verdadeiro deus, deposita meu corpo dormente sobre os lençóis brancos do leito.
Meus olhos ainda se agitam, sonolentos, buscando seus olhos negros.
Suavemente, ele pressiona seus doces lábios de efebo contra minhas pálpebras, que se cerram lentamente.
Ainda sinto seus dedos longos acariciando minha fronte...
O sol invade o quarto, queimando meus olhos.
Cubro a cabeça com o lençol, imaginando como será doce a próxima noite.
Nas longas horas da madrugada, ficamos os dois a brincar desse jogo de esconde-esconde. É um jogo terrível, sofrido, doloroso, mas quando acaba... Ah, como é doce o encontro!
Sob a vigília dos olhos pesados da noite, nossos corpos se entrelaçam e dançam um balé bêbado, estático. Então ele me ergue em seus braços e, com uma leveza digna de um verdadeiro deus, deposita meu corpo dormente sobre os lençóis brancos do leito.
Meus olhos ainda se agitam, sonolentos, buscando seus olhos negros.
Suavemente, ele pressiona seus doces lábios de efebo contra minhas pálpebras, que se cerram lentamente.
Ainda sinto seus dedos longos acariciando minha fronte...
O sol invade o quarto, queimando meus olhos.
Cubro a cabeça com o lençol, imaginando como será doce a próxima noite.
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